Inovação traz um toque de frescor ao tradicional mercado do vinho

O Brasil, país da cervejinha e da cachaça, está se rendendo cada vez mais ao vinho. E o mais novo queridinho do brasileiro tem menos o jeito sisudo e aristocrático dos tintos e mais o espírito latino: são os chamados de “vinhos refresh”, em geral os rosé e brancos mais leves, delicados, joviais e, sobretudo, refrescantes.

Livia Marques, CEO da Veroni, empresa que tem apostado nesse nicho, contou ao podcast Inspire, da Zoho do Brasil, como tem atuado a partir do desafio de popularizar o consumo de vinhos refrescantes como um novo estilo de vida.

“As pessoas conectavam o vinho a momentos muito formais da vida. Pensamos em trazer o vinho de forma mais descontraída, mostrando que ele pode ser consumido em qualquer momento. Queremos inspirar as pessoas a consumir o vinho não só em momentos especiais”, explica.

A iniciativa acompanha uma tendência nacional. Segundo a Wine Intelligence, os consumidores brasileiros são fortemente motivados pela experimentação de novos vinhos. De acordo com a consultoria, 70% dos consumidores brasileiros de vinho se dizem abertos a experimentar novos estilos e tipos da bebida.

“A gente verificou que não havia no mercado produtos que dessem essa sensação. A gente quer ser mais do que um vinho. Queremos ser um life style”, afirma Livia.

De 2020 para 2021, o Brasil passou a ser o 14º mercado de vinhos mais atraente globalmente, de acordo com última pesquisa da Wine Intelligence, subindo 12 posições no ranking.

Livia conta que a empresa começou a operar no final de 2019, ou seja, pouco tempo antes do novo coronavírus. “O Veroni é o vinho da pandemia. Mesmo com tudo fechado, verificamos que a avaliação dos clientes finais era muito positiva. Crescemos mesmo nessa situação”, conta.

Foi por isso também que a Veroni expandiu o portfólio do rosé para o vinho branco. “Em 15 de agosto, a primeira carga de branco chegou do Chile. Em 25 de agosto, foi feito o pré-lançamento. Em 25 de outubro, o estoque acabou. Nove mil garrafas em menos de 60 dias”, revela.

O Veroni branco é um chardonnay muito refrescante. Já o rosé é um blend exclusivo de uvas merlot, shirah e sauvignon blanc. A Veroni incentiva seu consumo gelado e até com gelo. Somente em 2021, a empresa comercializou 70 mil garrafas e faturou R$ 2,5 milhões, devendo dobrar esse volume ao final de 2022 e faturar R$ 6 milhões, com a abertura de mais praças.

Isso fora do mercado tradicional. “A gente abraça várias causas. Nossa vinícola faz parte do Fairtrade International, ou seja, nossa cadeia é mais justa. E também somos girl power, pois mais de 70% dos nossos colaboradores da vinícola no Chile são mulheres”, afirma Livia.

A Fairtrade International é uma organização que busca proporcionar melhores condições de trabalho para produtores de países em desenvolvimento.

Outra particularidade da empresa que também se mostrado uma tendência no mundo do vinho é que a produção do seu rosé é vegana. Livia explica que a Veroni se preocupa com todas as etapas da produção e não utiliza nenhum produto de origem animal no processo de clarificação do vinho. “Agora, estamos desenhando, para o primeiro semestre de 2022, um projeto de logística reversa das garrafas”, diz.

A depender do tamanho desse mercado, o projeto será um sucesso. Estudo da International Wine and Spirts Research (IWSR) estima que o consumo global de vinho orgânico deve chegar a 1 bilhão de garrafas por ano em 2023 e que o mercado global desse tipo de vinho deve ter um crescimento de 43% até 2024.

“Para quem empreende, um pouco de sorte sempre está presente. Mas existe uma ‘sorte’ chamada esforço que é o que traduz essa sorte. E a equipe da Veroni tem isso de sobra”, comemora.

Segundo ela, até aqui, a paciência foi seu maior aprendizado. “Se você está no caminho certo e trilhando positivo com responsabilidade com o mundo, é só ter paciência que as coisas vão acontecendo”, define.

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