Ao lado do Porto Digital, Cesar é centro de excelência tecnológica em Recife

Nos anos 90, quando a internet ainda “era mato” no Brasil e no mundo, em plena época de transição do mercado de informática marcada pela massificação dos equipamentos e sistemas, o Recife, capital de Pernambuco, se tornou um dos polos tecnológicos mais relevantes do país.

Essa história tem como “endereço” o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), instituição ligada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPe) focada na transformação de pessoas e empresas por meio de educação, inovação e empreendedorismo.

Segundo Eduardo Peixoto, CEO do Cesar, desde o início, o centro vem refletindo uma visão ampliada dos professores que regressavam décadas atrás do Exterior interessados em olhar para o futuro da computação dentro do Brasil.

Em conversa para o podcast Inspire, da Zoho do Brasil, ele recordou a trajetória da instituição, dedicada a preparar profissionais e a levar a inovação ao mercado, dando a ele maior competitividade e dinamismo.

Essa jornada remonta a um período no qual pouquíssimos profissionais estavam habilitados para trabalhar no ambiente computacional, realidade muito diferente da atual. “Todas as respostas hoje já estão no Google. O importante agora é se preparar para fazer as perguntas”, afirma. As dúvidas estão lá na frente, talvez já no ambiente do metaverso.

“Havia naquela época o Java, uma linguagem agnóstica independente de fabricantes, capaz de rodar em plataformas diferentes. A gente estava à frente disso, sendo um farol desse conhecimento no Brasil”, conta. Segundo ele, empresas do setor bancário buscavam o Cesar para recrutar talentos. “Isso nos deu uma diferenciação com relação a outras empresas”, diz.

Mas havia também muito conhecimento novo surgindo em função da internet, sobretudo ligado à segurança cibernética. “Isso era muito periférico em meados dos anos 2000. Mesmo assim, a gente apostou nisso e criou empresas, como a Tempest Security Intelligence, uma das principais companhias de cibersegurança do Brasil, que foi comprada pela Embraer em 2020”, recorda.

Mestrado de software

“[O cientista Silvio Meira] Um dos fundadores do Cesar fala que toda boa empresa é uma boa escola. Eu concordo com ele”, afirma Peixoto. Com essa proposta, foi criada a Cesar School, que se autodenomina “uma escola de inovação”. A instituição tem como grande diferencial fazer parte do Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos e ambientes de inovação do Brasil, situado em Recife, com mais de 200 empresas e conectado a centenas de entidades em todo o mundo.

“Em 2006, pela necessidade de ter mais conhecimento novo, a gente criou um mestrado profissional em Engenharia de Software e, quatro anos depois, acrescentamos o mestrado profissional em Design”, lembra.

Peixoto ressalta que a conexão com o design é outro diferencial do Cesar. “A ligação do Cesar com a arte é desde o começo, tem uma conexão muito forte com o mangue beat. A gente acredita que a arte elimina fronteiras e, a partir daí, a gente pode se expressar livremente e construir coisas que estão fora do radar, dar um salto”, justifica.

Em 2012, outro experimento ganhou muita proporção. Em seis semanas, o Cesar recruta jovens para um programa que trabalha soluções para problemas reais de mercado. É o Summer Job, que acabou prototipando uma espécie de graduação. “A gente mistura engenharia de software, design e negócios. Esse programa dobrou de tamanho ano a ano, inclusive atraindo alunos de fora do país. Atualmente, a gente faz duas edições, sendo que no meio do ano é oferecido em língua inglesa”, descreve.

A liberação para criar um programa de graduação veio em 2017, que já acontecem em Ciência da Computação e em Design.

Hoje, a vertente de educação do Cesar se concentra em “aprender com o que faz, fazendo”. Mais do que isso, comenta Peixoto, o centro se dedica à geração e aceleração de startups de tecnologia e à transformação digital de empresas convencionais.

Segundo ele, a evasão dos talentos do Nordeste continua sendo um problema, embora esse potencial continue premente. “O que faz essas pessoas ficarem? Foi o que tentamos aqui. Pessoas voltando para construir em Recife o que eles estavam querendo no Exterior”, argumenta.

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